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 Origem e Evolução do Português

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Lusa



Número de Mensagens: 708
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MensagemAssunto: Origem e Evolução do Português   Qui Nov 08, 2007 2:41 am

DO INDO-EUROPEU AO LATIM

O indo-europeu era uma língua muito antiga, que espalhou os seus ramos por vastas regiões da Ásia e por quase toda a Europa. Do indo-europeu resultaram, entre outras línguas, o hitita, o arménio, o albanês, o eslávico, o helénico, o germânico, o céltico e o itálico. Foi o itálico que originou o latim, úmbrio, venético e osco.

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strasser



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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Qui Nov 08, 2007 10:01 am

Sobre esses assuntos indo-europeus e linguísticos recomendo acima de tudo que se conheça Geoges Dumézil:

Filólogo e historiador das religiões, Georges Dumézll (1898-1980) é uma das maiores figuras das ciências humanas francesas. Dotado de uma cultura enciclopédica e de uma curiosidade que o levou, por causa de suas pesquisas, a aprender quarenta línguas, Georges Dumézil dedicou toda sua vida a trazer à luz o fundo cultural comum aos povos indo-europeus. Sua obra de síntese Mythe et Epopée (1)- vasta compilação de lendas, contos e mitos acompanhados de análises - leva-nos ao cerne das teses desse arqueólogo da civilização indo-européia.
Monumental e solitária, a obra de Georges Dumézil marcou profundamente as pesquisas sobre a civilização indo-européia que os filólogos descobriram no século passado. Os indo-europeus não constituem um povo que se possa encontrar na história, porém representam uma hipótese baseada no parentesco fundiário das línguas faladas entre a Inglaterra e os confins da Índia.
A partir dessa idéia de que existe uma grande comunidade indo-européia, Georges Dumézil vai descobrir, através de um estudo comparado das religiões, dos mitos, dos relatos e dos tipos de organização social, uma forma de pensamento e de representação do mundo comum a todos os povos indo-europeus.
Empírico, o trabalho de Georges Dumézil repousa numa imensa erudição. A partir de textos de línguas escandinavas, celtas, gregas, romanas, caucasianas, iranianas e indianas, esse arqueólogo da civilização indo-européia observa que todos esses povos representam as funções que permitem a vida em sociedade em três categorias: as funções soberanas e religiosas (o espiritual), as funções guerreiras (a força física) e econômicas (a fecundidade). Ele demonstra assim que essa "ideologia tripartida" estrutura a organização sócio-religiosa mas também o imaginário dos indo-europeus.
http://www.georgesdumezil.org/


Última edição por em Qui Nov 08, 2007 12:39 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Qui Nov 08, 2007 11:40 am

Caro Strasser, obrigado pela divulgação desse texto muito útil e interessante sobre Georges Dumézil.

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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Seg Nov 12, 2007 3:02 am

O LATIM VULGAR

O latim foi inicialmente falado numa pequena região, o Lácio, que tem Roma como capital, e passou depois a ser falado pelos povos que os romanos conquistaram durante a época imperial. Os cidadão romanos que se espalhavam pelos territórios conquistados eram sobretudo soldados, comerciantes, funcionários públicos, os quais falavam uma linguagem popular que era própria de classes menos instruídas - o latim vulgar. Foi este latim de cariz popular que esteve na origem das várias línguas locais, entre elas o português. Além do latim vulgar havia ainda o latim clássico que era escrito e falado e que era a língua usada pelas pessoas cultas.

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DuxBellorum



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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Seg Nov 12, 2007 3:06 am

Há uma gramática do latim, do tempo do Império Romano, que contém os erros mais comuns. Nessa secção podemos encontrar palavras que mais tarde fariam parte do léxico do português. É muito interessante constatar que os erros de uma língua deram origem a um novo idioma.

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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Seg Nov 12, 2007 3:23 am

DuxBellorum, isso é muito interessante. Já agora, deixo um post sobre as línguas românicas, nas quais se inclui o português.

AS LÍNGUAS ROMÂNICAS

Como os romanos alargaram o império e tinham uma cultura superior, a sua língua impôs-se às dos povos vencidos. No entanto, as línguas já existentes nas diversas regiões exerciam também bastante influência sobre o latim, o que fez nascer as línguas novilatinas ou românicas:
o português (em Portugal), o espanhol (na Espanha), o catalão (na Catalunha), o francês (na França), o provençal (na Provença, antiga região da França), o italiano (na Itália), o romeno (na Roménia) e outras ainda com menos importância.

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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Qua Nov 14, 2007 1:22 am

VIA POPULAR E VIA ERUDITA DO LATIM

O latim que esteve na origem das línguas românicas foi o falado pelas classes humildes, pelo povo, e assim a maioria das palavras latinas entraram na nossa língua por via popular. Essas palavras eram faladas por toda a gente de modo espontâneo e por isso sofreram muitas modificações fonéticas ao longo dos séculos. A partir do século XIV, e sobretudo a partir do século XVI, com o Renascimento, os estudiosos aprofundaram os seus conhecimentos e muitas vezes recorreram à criação de novas palavras portuguesas provenientes directamente do latim clássico. Estas palavras, criadas tardiamente, e oriundas da via erudita ou culta, não têm uma transformação tão grande como as oriundas da via popular que estão na origem do português.

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strasser



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MensagemAssunto: Re: Origem e Evolução do Português   Qua Nov 14, 2007 3:19 pm

A LÍNGUA PORTUGUESA - essa desconhecida

A imprensa, quer falada quer escrita, tem vindo, com uma fúria ignorante e pedante, a destruir diária e sistematicamente a língua portuguesa, como se de bicho daninho se tratasse. Esta acção perniciosa a que todos nós assistimos, mais ou menos impávidos, não é nova: vem já de há longos anos, embora seja agora mais visível e atrevida e, sobretudo, ainda mais ignorante. Escritores que amaram a nossa língua, com o amor que ela devia merecer de todos nós, chamaram vezes sem conto a atenção para este facto. Para só citarmos alguns, de entre mortos e vivos, lembramos os Profs. Agostinho de Campos e Rodrigo de Sá Nogueira e os escritores Tomaz de Figueiredo, João de Araújo Correrá e Domingos Monteiro. Mas muitos outros, directa ou indirectamente, lutaram com denodo por esta língua que ainda hoje também nós queremos que seja portuguesa.
É evidente que quando dizemos que a imprensa é responsável pela destruição sistemática da nossa lingua sabemos perfeitamente que não têm os jornalistas essa intenção clara e determinada. Mas há - e é necessário dizê-lo e repeti-lo até à saciedade - ignorância, muita ignorância, que faz com que esses mesmos jornalistas contribuam, de facto, para a destruição da língua portuguesa. O cuidado que seria necessário ter na redacção das notícias desapareceu; e o improviso atabalhoado, a que chamam muitas vezes à-vontade, redunda quase sempre num chorrilho de lugares-comuns ou de frases mal sonantes e de trazer por casa, no verdadeiro sentido da expressão.
Além disso, em nome de uma mal interpretada fidelidade ao pensamento do entrevistado, publicam-se respostas onde proliferam os solecismos, abundam os estrangeirismos e campeiam os neologismos desnecessários. Quanto às frases ocas e vazias de qualquer significado, que de há anos para cá toda a gente usa e ninguém sabe ao certo o que significam, é melhor nem falar, porque estão a tornar tragicamente ridículas as pessoas que as proferem. O pretensiosismo leva os que não conhecem a língua que dizem sua a começar todas as frases por "pois", a terminá-las por "e não só" ou "já" e a pôr-lhes no meio, à cautela, "salvo melhor opinião". E como o disparate se propaga assustadoramente depressa, temos qualquer dia todo este Portugal a falar por chavões, por lugares-comuns, por frases estereotipadas que ninguém sabe o que querem dizer mas toda a gente, pedantemente, finge entender.
Como se isto não bastasse para liquidar sumária e ingloriamente a língua de Camões - porque, não convém esquecê-lo, esta é a língua de Camões, autor de "Os Lusíadas", actualmente mais de fama universal que nacional -, fez-se uma reforma do ensino em que a língua, uma vez mais e ainda, foi vítima de uma falta de senso e de cuidado que, se não é criminosa, para lá caminha. A pretexto de actualizar os programas de Português do ensino secundário, ideia que já vinha pelo menos do ano lectivo de 1971-72, puseram-se de lado as breves mas tão necessárias noções da lingua latina - de onde, por espantoso que pareça, provém a língua portuguesa; deu-se demasiada importância às chamadas "noções de carácter linguístico", que os alunos dificilmente entendem porque mal preparados e os professores com dificuldade ensinam; valorizou-se de tal modo a criatividade dos alunos que estes, sem bases de qualquer espécie, tornaram-se incapazes de escrever uma simples carta à familia; e, por fim - embora seja dos pontos mais importantes - "sanearam-se", como agora se diz, os clássicos, ou seja, os que deviam ser ensinados nas classes, substituindo-os por textos de maus escritores ou de indivíduos cujo único lugar era na carteira dos alunos, presidindo a esta escolha o critério ideológico e não o cultural ou o literário. Perante isto, só por verdadeiro milagre podem os alunos das nossas escolas saber falar e escrever correctamente a língua portuguesa. E os milagres não surgem todos os dias, nem mesmo todos os anos lectivos, porque senão deixariam de ser milagres.
O povo - de quem tanto se fala agora a propósito e a despropósito - o povo simples onde foram os nossos maiores escritores buscar palavras e expressões, e que durante anos guardou, como se fora relíquia, a pureza e a graciosidade da nossa língua, também ele se deixou corromper pelos que vinham da cidade ou do estrangeiro e cuja fala viciada se difundiu com a celeridade com que o erro normalmente se propaga. Depois, foi a imprensa que chegou a toda aparte e tudo se perdeu. "Houve tempo em que o povo foi mestre da língua. Hoje, corrompido pelo mau locutor e pelo mau escritor, é um vaso de tolices", disse João de Araújo Correia no seu livro sintomaticamente chamado "Enfermaria do idioma". Um livro a ler e a reler, pelos que ainda amam esta língua.
Defender a língua portuguesa pode parecer pregar no deserto ou falar a surdos. Mas às vezes, quando não querem os homens ouvir a voz da razão, é necessário pregar no deserto ou falar a surdos. Foi por isso que Santo António foi pregar aos peixes: e só então os homens o ouviram.
É urgente defender a língua portuguesa. A língua portuguesa que se está a transformar na imagem falada de um país destruido. E se queremos realmente que os nossos filhos amanhã não se envergonhem de nós, comecemos já hoje por amar, por falar e por escrever a nossa língua como ontem a amaram, a falaram e a escreveram todos aqueles que a difundiram por todo o mundo e no-la legaram para sempre.

(António Leite da Costa)
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